a quem interessar possa

É das cartas, às vezes, se perder pelo caminho. E é da gente: entre filmes e livros, entre músicas e fotografias, às vezes a gente perde o chão, erra o passo, desanda os olhos.

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É das cartas, às vezes, se perder pelo caminho. E é da gente: entre filmes e livros, entre músicas e fotografias, às vezes a gente perde o chão, erra o passo, desanda os olhos.

Nem sempre é fácil falar da arte que nos move, de pessoas que nos piram, de coisas que nos abrem. E às vezes o que a gente quer dizer não cabe naquele tipo de texto mais contido a que se chama crítica. A quem interessar possa, a gente quer escrever cartas pra falar dessas coisas, mesmo que essas cartas se percam e nunca cheguem a seus destinatários.

Querida Quasar, acho que eu devia começar dizendo: "Queridos corpos".

Quasar cia de dança

Querido Abbas, queria ter escrito antes.

Queridos Ryan e Zach,

Sempre entendo “flowers grow wild on my grave” quando as crianças cantam “flowers grow out of my grave” e acho isso bonito.

Querido Jonas, eu deveria ter filmado as minhas imagens do paraíso.

Talvez tenha conseguido juntar alguns traços, não sei. Provavelmente perder cada uma delas foi a única forma de encontrar e de experimentar a felicidade que passou por elas e que deixou ali algum rastro, algum resto. E de, depois, agora talvez, guardar e carregar comigo essas imagens, não como uma falta, mas como uma memória que eu preciso inventar a cada dia, me lembrando de quem sou e de ficar sempre perto de mim mesmo.